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Avanço da inteligência artificial pressiona mercado de memória e pode elevar preços de eletrônicos no Brasil

Avanço da inteligência artificial pressiona mercado de memória e pode elevar preços de eletrônicos no Brasil

A rápida expansão da inteligência artificial vem mudando profundamente a indústria de tecnologia. Além de criar novos serviços e oportunidades, esse avanço também gera efeitos indiretos que chegam ao consumidor final. Um deles é a crescente pressão sobre a produção de memória RAM, um componente essencial para praticamente todos os dispositivos eletrônicos.

À medida que empresas de tecnologia investem bilhões em servidores capazes de treinar e executar modelos de IA, elas passam a consumir grandes quantidades de memória de alto desempenho. Como consequência, sobra menos capacidade produtiva para atender smartphones, notebooks, tablets, veículos conectados e outros equipamentos de uso cotidiano.

Esse desequilíbrio entre oferta e demanda cria um cenário propício para escassez e aumento de preços, especialmente em mercados que dependem de importação, como o Brasil.

Por que a memória se tornou tão disputada

Sistemas de IA exigem volumes enormes de dados em tempo real. Para isso, precisam de servidores equipados com grandes quantidades de memória rápida e confiável.

Empresas que operam data centers de IA compram módulos em escala industrial e fecham contratos longos com fabricantes. Isso garante fornecimento estável para elas, mas reduz a quantidade disponível para outros segmentos.

Além disso, fabricar memória não é algo simples. Construir fábricas leva anos e exige investimentos altíssimos. Por isso, a produção global não cresce na mesma velocidade da demanda.

Esse descompasso explica por que os preços tendem a subir quando a procura aumenta de forma abrupta.

Como isso afeta o mercado brasileiro

O Brasil importa quase todos os componentes eletrônicos que utiliza. Isso inclui chips, módulos de memória e placas de circuito.

Quando os preços sobem no exterior, eles chegam ao país já mais caros. Em seguida, impostos, custos logísticos e variações cambiais ampliam ainda mais esse aumento.

Assim, mesmo reajustes moderados no mercado internacional podem resultar em aumentos perceptíveis nas prateleiras brasileiras.

Participação da memória no custo final dos produtos

ProdutoPeso da memória no custoSensibilidade ao aumentoElasticidade de preço
SmartphoneMédiaAltaAlta
NotebookAltaAltaMédia
TabletMédiaMédiaMédia
Carro conectadoBaixaBaixaBaixa
Dispositivos IoTMuito baixaBaixaAlta

Diferença entre o mercado corporativo e o de consumo

O mercado corporativo, especialmente o de IA, paga mais caro por componentes porque depende diretamente de desempenho e confiabilidade.

Já o mercado de consumo é mais sensível a preço. Fabricantes precisam equilibrar custo e atratividade para manter competitividade.

Por isso, quando a oferta diminui, fabricantes de eletrônicos precisam escolher entre reduzir margens ou repassar o custo ao consumidor.

Na maioria dos casos, ocorre uma combinação dos dois.

Comparação entre compradores de memória

CritérioEmpresas de IAFabricantes de eletrônicos
Volume por pedidoMuito altoMédio
Disposição a pagarAltaMédia
Exigência técnicaMuito altaMédia
Estabilidade contratualAltaMédia
Flexibilidade de fornecimentoBaixaMédia

Efeitos por categoria de produto

No segmento de smartphones, fabricantes podem lançar modelos com menos memória nas versões básicas ou elevar preços nos modelos mais completos.

No segmento de notebooks, principalmente os corporativos, há menos espaço para reduzir especificações. Assim, o repasse de custos tende a ser maior.

No setor automotivo, o impacto é mais indireto, mas ainda relevante. Carros modernos usam dezenas de módulos eletrônicos e qualquer escassez pode atrasar produção ou elevar custos.

Expectativa de impacto no curto prazo

SegmentoProbabilidade de altaIntensidade estimadaVelocidade do impacto
SmartphonesAltaMédiaRápida
NotebooksAltaMédia a altaMédia
TabletsMédiaBaixa a médiaLenta
AutomóveisMédiaBaixaMuito lenta
IoT domésticoBaixaBaixaLenta

Como fabricantes tentam reduzir o impacto

Algumas empresas buscam contratos de longo prazo para garantir fornecimento.

Outras redesenham produtos para usar menos memória sem comprometer tanto o desempenho.

Há também quem aposte em diferenciação, lançando versões premium com preços mais altos e aceitando menor volume de vendas.

Essas estratégias ajudam a atravessar períodos de escassez, mas não eliminam totalmente o impacto.

O que consumidores podem fazer

Consumidores podem planejar compras com mais cuidado, comparar gerações anteriores e observar ciclos de promoções.

Comprar modelos do ano anterior costuma ser uma forma eficiente de economizar quando preços sobem.

Além disso, evitar pagar por memória que não será usada ajuda a reduzir custos.

Um mercado em ajuste

A indústria de semicondutores trabalha para expandir capacidade produtiva. Novas fábricas estão em construção em vários países.

No entanto, esses projetos levam anos para entrar em operação. Até lá, a pressão sobre a oferta de memória deve continuar.

Enquanto isso, a inteligência artificial segue crescendo e consumindo cada vez mais recursos.

Esse cenário mostra como uma inovação em um setor pode gerar efeitos em cadeia que atingem toda a economia digital, desde grandes data centers até o bolso do consumidor comum.

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