×

Cassidy vence no México, assume liderança da Fórmula E e reacende disputa pelo título

Cassidy vence no México, assume liderança da Fórmula E e reacende disputa pelo título

A temporada 2025/26 da Fórmula E ganhou um novo protagonista. No ePrix da Cidade do México, disputado no tradicional Autódromo Hermanos Rodríguez, Nick Cassidy fez uma corrida estratégica, precisa e extremamente consistente para conquistar sua primeira vitória do ano, assumir a liderança do campeonato e consolidar-se como um dos principais candidatos ao título da categoria elétrica.

O piloto da Citroën largou apenas da 14ª posição, mas aproveitou perfeitamente o funcionamento do Modo Ataque, as relargadas e os erros dos adversários para escalar o pelotão e cruzar a linha de chegada em primeiro, após uma prova marcada por muitas trocas de liderança, incidentes e decisões táticas determinantes.

Com o resultado, Cassidy chega a 40 pontos no campeonato e assume a ponta da classificação geral, deixando claro que a temporada promete ser uma das mais equilibradas e imprevisíveis dos últimos anos.

Uma corrida caótica desde a largada

A prova começou com tensão logo nos primeiros metros. Sébastien Buemi, que largava bem posicionado, acabou passando reto na curva 1 e despencou para o fundo do pelotão, mudando completamente a dinâmica da corrida ainda na primeira volta.

Com isso, Taylor Barnard assumiu a liderança inicial, seguido por Edoardo Mortara e Nico Müller. Logo atrás, o pelotão se manteve compacto, o que facilitou disputas intensas e sucessivas ultrapassagens nas primeiras voltas.

Enquanto isso, Nick Cassidy começou sua recuperação de forma silenciosa, aproveitando erros à frente, zonas de ataque e disputas entre rivais para ganhar posições sem se envolver em confusões.

O Modo Ataque como fator decisivo

O grande diferencial da corrida foi, mais uma vez, o uso estratégico do Modo Ataque. Na Fórmula E, essa ferramenta oferece potência extra temporária, mas exige que o piloto passe por uma zona específica da pista para ativá-la, o que muitas vezes custa posições momentaneamente.

Pascal Wehrlein foi um dos primeiros a usar o recurso de forma agressiva, saltando da 11ª para a 2ª posição em poucas voltas e assumindo a liderança logo depois. No entanto, o excesso de disputa na frente acabou custando caro.

Enquanto Wehrlein, Mortara, Müller e Barnard brigavam diretamente pela ponta, Cassidy fazia um trabalho mais cirúrgico, avançando gradualmente e economizando energia para o momento decisivo.

Safety car e reviravolta no meio da prova

Na volta 17, um incidente com Nyck De Vries provocou a entrada do safety car, embaralhando novamente as posições. Buemi, que já vinha em recuperação, recebeu uma penalização de cinco segundos por obter vantagem fora da pista, o que o fez cair novamente para o fim do pelotão.

A relargada foi intensa. Mortara e Müller mantiveram suas posições, enquanto Barnard e Wehrlein trocaram posições repetidamente. No meio do grid, houve toque entre Dan Ticktum e António Félix da Costa, que resultou no abandono de ambos.

Esse momento foi crucial para Cassidy: com o pelotão desorganizado, ele conseguiu avançar rapidamente para o grupo dos cinco primeiros, colocando-se definitivamente na briga pela vitória.

A última volta: quando tudo se decidiu

Nos giros finais, praticamente todos os pilotos ativaram o Modo Ataque ao mesmo tempo, o que tornou a prova ainda mais imprevisível. Evans, Müller, Mortara e o próprio Cassidy se alternaram na liderança.

Na última volta, Cassidy conseguiu assumir a ponta com uma ultrapassagem limpa e abriu pequena vantagem. Mortara ainda tentou pressionar até a bandeirada, mas não conseguiu espaço suficiente para atacar.

Cassidy cruzou a linha de chegada com 0s651 de vantagem sobre Mortara, enquanto Oliver Rowland completou o pódio em terceiro.

Situação dos brasileiros

Entre os brasileiros, o resultado foi agridoce.

Lucas Di Grassi chegou a ocupar a sétima posição durante a corrida, mas perdeu rendimento nos momentos finais e terminou apenas em 13º. Já Felipe Drugovich, estreando na Fórmula E pela Andretti, fez uma corrida sólida, ganhou posições e cruzou a linha em 15º — um resultado modesto, mas que mostra evolução e adaptação à categoria.

Ambos ainda buscam maior constância para brigar de forma mais efetiva por posições no top 10 ao longo da temporada.

Classificação do ePrix do México (Top 5)

  1. Nick Cassidy (Citroën) – 49’25.393
  2. Edoardo Mortara (Mahindra) – +0.651
  3. Oliver Rowland (Nissan) – +0.945
  4. Taylor Barnard (DS Penske) – +1.436
  5. Jake Dennis (Andretti) – +1.647

Um campeonato em aberto

Com apenas duas etapas disputadas, o campeonato já mostra sinais claros de equilíbrio. Diferentes equipes venceram, múltiplos pilotos lideraram corridas e nenhuma força dominante se estabeleceu até aqui.

Cassidy assume a liderança, mas Mortara, Rowland, Dennis, Wehrlein e Barnard aparecem logo atrás, separados por poucos pontos, o que indica uma temporada longa, estratégica e extremamente competitiva.

Cassidy como novo protagonista

Mais do que a vitória, o que impressionou no desempenho de Nick Cassidy foi a maturidade estratégica. Ele soube quando atacar, quando conservar energia e quando evitar riscos desnecessários.

Em uma categoria em que a leitura de corrida vale tanto quanto a velocidade pura, Cassidy mostrou por que se tornou um dos nomes mais respeitados do grid.

Se mantiver esse nível de consistência, ele não será apenas um candidato ao título — será o piloto a ser batido em 2025/26.

O ePrix da Cidade do México entregou tudo o que se espera da Fórmula E: imprevisibilidade, estratégia, disputas limpas, erros humanos e decisões que mudam completamente o rumo de uma corrida.

Nick Cassidy saiu como o grande vencedor, mas o verdadeiro destaque foi o equilíbrio da categoria. Com tantos pilotos e equipes capazes de vencer, cada corrida se torna uma final.

E isso, para fãs, equipes e pilotos, é exatamente o que torna esta temporada tão especial. ⚡🏁

Share this content:

Publicar comentário

Outros Assuntos em Alta