AMD promete salto de 1.000x em desempenho para IA e projeta a era dos Yottaflops com as GPUs Instinct MI500
A AMD utilizou a CES 2026 como palco para um dos anúncios mais ambiciosos já feitos no setor de computação de alto desempenho. A empresa revelou que suas futuras GPUs Instinct MI500, previstas para 2027, serão capazes de entregar um aumento de até 1.000 vezes no desempenho em cargas de trabalho de inteligência artificial quando comparadas às atuais MI300. Assim, a companhia deixa claro que enxerga o futuro da IA como um território que exige não apenas melhorias graduais, mas saltos estruturais em escala industrial.
Esse anúncio não surge por acaso. Nos últimos anos, modelos de linguagem gigantescos, sistemas multimodais e agentes autônomos ampliaram drasticamente a demanda por processamento, memória e interconexão entre chips. Portanto, a corrida agora não é apenas por quem tem o chip mais rápido, mas por quem consegue construir a infraestrutura mais eficiente, escalável e sustentável para alimentar essa nova geração de software.
Por que a inteligência artificial exige um salto tão grande
A expansão da IA não acontece de forma linear. Cada nova geração de modelos traz um crescimento exponencial no número de parâmetros, no volume de dados processados e no consumo energético. Assim, o que era suficiente há dois ou três anos já se torna obsoleto rapidamente.
| Fator | Impacto direto |
|---|---|
| Modelos maiores | Mais FLOPs necessários |
| Mais usuários | Mais instâncias simultâneas |
| Mais contexto | Mais memória |
| Mais multimodalidade | Mais largura de banda |
Dessa forma, atender à próxima onda de IA exige reimaginar toda a pilha computacional.
Da MI300 à MI500: uma escalada planejada
A AMD estruturou sua estratégia em saltos bem definidos:
| Geração | Ano | Arquitetura | Foco |
|---|---|---|---|
| MI300 | 2024 | CDNA 3 | Consolidação |
| MI400 | 2026 | CDNA 5 | Escala |
| MI500 | 2027 | CDNA 6 | Explosão de desempenho |
Enquanto a MI400 atende à demanda atual por aceleração de IA, a MI500 nasce voltada para modelos ainda inexistentes — mas já previstos nos roteiros de pesquisa das grandes empresas de tecnologia.
Litografia de 2nm e densidade inédita
A MI500 utilizará a litografia de 2 nanômetros da TSMC, permitindo uma densidade de transistores sem precedentes. Isso significa mais núcleos por chip, menor consumo por operação e maior paralelismo interno.
Além disso, a redução no tamanho físico dos transistores melhora a eficiência energética, um fator crítico em data centers que já enfrentam limitações de fornecimento elétrico e impacto ambiental crescente.
HBM4e: o gargalo que precisa desaparecer
Durante anos, a memória foi o principal gargalo da IA. Mesmo com GPUs extremamente rápidas, os núcleos ficam ociosos se os dados não chegam rápido o suficiente. Por isso, a AMD aposta na HBM4e, uma evolução da HBM4, com largura de banda ainda maior.
| Memória | Largura de banda |
|---|---|
| HBM3 | Alta |
| HBM4 | Muito alta |
| HBM4e | Extremamente alta |
Assim, o fluxo de dados deixa de ser um limitador e passa a acompanhar o crescimento do poder computacional.
Arquitetura CDNA 6: pensada exclusivamente para IA
A nova arquitetura CDNA 6 abandona qualquer compromisso com gráficos tradicionais e foca exclusivamente em cargas de trabalho de IA. Ela otimiza:
- Operações matriciais massivas
- Comunicação entre milhares de núcleos
- Execução paralela de inferência e treinamento
Portanto, a MI500 não é uma GPU adaptada para IA — ela nasce como uma máquina de IA.
Mega Pods: quando o chip deixa de ser a unidade
Outro ponto central é o conceito do UAL256 Mega Pod, que agrupa até 256 GPUs MI500 operando como um único sistema.
| Componente | Quantidade |
|---|---|
| GPUs MI500 | 256 |
| CPUs Verano | 64 |
| Memória compartilhada | Sim |
| Interconexão | Ultra rápida |
Assim, o data center deixa de ser uma coleção de servidores e passa a ser um supercomputador modular.
A disputa com NVIDIA e Intel muda de nível
A concorrência não acontece mais apenas no nível do chip, mas da plataforma completa.
| Empresa | Estratégia |
|---|---|
| AMD | Mega Pods modulares |
| NVIDIA | Superpods integrados |
| Intel | Híbrido CPU + aceleradores |
Logo, vence quem oferecer o ecossistema mais eficiente para construir e escalar fábricas de IA.
Impactos práticos
Esse salto permitirá:
- Treinar modelos muito maiores
- Reduzir semanas de treino para dias ou horas
- Viabilizar IA corporativa local
- Expandir aplicações em ciência, medicina e indústria
Ao mesmo tempo, abre caminho para simulações científicas, descoberta de medicamentos, modelagem climática e automação industrial em níveis nunca vistos.
Desafios inevitáveis
Mesmo com esse avanço, surgem desafios:
- Consumo energético extremo
- Custos elevados
- Pressão sobre cadeias de suprimentos
- Regulação ambiental
Ainda assim, a indústria parece disposta a enfrentar esses obstáculos porque o valor estratégico da IA é alto demais para ser ignorado.
O que a MI500 simboliza
Mais do que um produto, a MI500 simboliza uma mudança de mentalidade: o reconhecimento de que a inteligência artificial deixou de ser apenas software e se tornou uma infraestrutura industrial global.
Assim, quem dominar a fabricação dessas máquinas dominará a próxima fase da economia digital.
E é exatamente isso que a AMD tenta fazer: não apenas vender chips, mas construir o alicerce físico do futuro da inteligência artificial.
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