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Xiaomi vai fabricar processadores próprios para carros elétricos e notebooks e amplia ambição tecnológica

Xiaomi vai fabricar processadores próprios para carros elétricos e notebooks e amplia ambição tecnológica

A Xiaomi deu mais um passo importante para se tornar uma empresa de tecnologia totalmente integrada. Um vazamento do portal Cailian Press revelou novos detalhes sobre o XRING O2, a segunda geração do processador próprio da Xiaomi, que não ficará restrito apenas a celulares e tablets. A empresa planeja utilizar o chip também em carros elétricos, notebooks e PCs, ampliando de forma significativa o alcance da sua arquitetura proprietária.

Com essa estratégia, a Xiaomi sinaliza que quer seguir um caminho semelhante ao da Apple, apostando na integração entre hardware, software e inteligência artificial para ganhar eficiência, controle tecnológico e diferenciação no mercado.

XRING O2 marca nova fase da Xiaomi além dos smartphones

Até recentemente, a Xiaomi utilizava processadores próprios apenas como complemento à oferta tradicional baseada em Qualcomm e MediaTek. No entanto, o XRING O2 representa uma mudança clara de postura. Agora, a empresa passa a enxergar seus chips como pilares centrais do ecossistema, não apenas como alternativas experimentais.

Segundo o vazamento, a Xiaomi planeja implementar o XRING O2 em diversas categorias de produtos, incluindo:

  • Tablets da linha Xiaomi Pad
  • Notebooks e PCs
  • Veículos elétricos da marca
  • Dispositivos conectados ao HyperOS

Dessa forma, a companhia amplia a integração entre dispositivos e reforça sua independência tecnológica.

Notebooks podem ganhar alternativa ao Windows on Arm

No segmento de PCs e laptops, a estratégia da Xiaomi chama atenção. A empresa pretende otimizar o HyperOS para seus próprios processadores, criando uma plataforma que funcione de maneira semelhante ao Windows on Arm, mas com controle interno total.

Essa abordagem lembra diretamente o modelo adotado pela Apple com os chips da linha M, que transformaram o desempenho e a eficiência energética dos Macs. Ao seguir esse caminho, a Xiaomi pode entregar notebooks com maior autonomia, melhor gerenciamento térmico e integração profunda com o ecossistema da marca.

Além disso, a produção interna de chips reduz a dependência de fornecedores externos, algo cada vez mais estratégico em um cenário global marcado por disputas geopolíticas no setor de semicondutores.

Carros elétricos entram no plano de chips próprios

Outro ponto de destaque é a aplicação do XRING O2 em veículos elétricos. Diferentemente de smartphones, carros exigem alto poder computacional, confiabilidade e eficiência energética constante. Por isso, a escolha da tecnologia de fabricação do chip se torna ainda mais crítica.

Ao desenvolver um processador próprio para esse segmento, a Xiaomi busca integrar de forma mais profunda:

  • Sistemas de entretenimento
  • Assistentes de voz
  • Recursos de direção assistida
  • Processamento de dados em tempo real
  • Inteligência artificial embarcada

Essa integração pode reduzir latência, melhorar segurança e facilitar atualizações de software ao longo da vida útil do veículo.

Chip da Xiaomi será fabricado em 3 nm

O vazamento também confirmou que a Xiaomi optou pelo processo N3P de 3 nm da TSMC para fabricar o XRING O2. Trata-se da terceira geração da tecnologia de 3 nm, considerada uma das mais maduras e estáveis do mercado atual.

Embora a TSMC já tenha iniciado o desenvolvimento de chips em 2 nm, a Xiaomi decidiu não adotar esse nó por enquanto. A escolha foi estratégica e levou em conta vários fatores.

Comparação entre processos de fabricação

ProcessoStatusPrincipais vantagens
3 nm (N3P)MaduroEstabilidade, eficiência e bom custo-benefício
2 nm (N2)InicialMaior densidade, mas alto custo
4 nmConsolidadoMais barato, porém menos eficiente

Valores menores em nanômetros indicam maior densidade de transistores, o que costuma resultar em mais desempenho e menor consumo de energia. No entanto, a diferença prática entre 3 nm avançado e 2 nm de primeira geração tende a ser imperceptível para a maioria dos usuários.

Custo, maturidade e escala pesaram na decisão

Além da eficiência, o custo teve papel decisivo. As lâminas de 2 nm apresentam preços significativamente mais altos, o que impactaria o valor final dos produtos. Outro fator importante é a capacidade de produção limitada do nó de 2 nm, que costuma ser priorizada para empresas como a Apple nos primeiros ciclos.

Ao escolher o N3P, a Xiaomi garante:

  • Maior previsibilidade na produção
  • Custos mais controlados
  • Desempenho consistente
  • Menor risco de atrasos

Para produtos como carros elétricos e notebooks, essa estabilidade é mais importante do que números absolutos de marketing.

XRING O2 não deve enfrentar Qualcomm diretamente

Apesar da ambição, analistas apontam que o XRING O2 não representa uma ameaça direta à Qualcomm ou à MediaTek no mercado global de semicondutores. Isso acontece porque a Xiaomi não pretende vender seus chips para terceiros.

O foco permanece no uso interno, como parte de uma estratégia de integração vertical. Com isso, a empresa ganha mais controle sobre:

  • Ciclos de atualização
  • Otimização de software
  • Custos de produção
  • Diferenciação de produtos

Ainda assim, existe um desafio de percepção. No segundo semestre de 2026, empresas como Apple e Qualcomm devem lançar chips de 2 nm, o que pode tornar o XRING O2 menos chamativo em especificações técnicas brutas, mesmo entregando desempenho real competitivo.

XRING O1 mostrou que a Xiaomi pode competir

O histórico recente joga a favor da Xiaomi. O XRING O1, lançado em maio de 2025, surpreendeu o mercado. Com arquitetura de 10 núcleos, o chip conseguiu:

  • Superar o Apple A18 Pro em eficiência energética
  • Alcançar mais de 3 milhões de pontos no AnTuTu
  • Entregar bom equilíbrio entre desempenho e consumo

Resumo do XRING O1

CaracterísticaXRING O1
Ano de lançamento2025
Núcleos10
DestaqueEficiência energética
Benchmark AnTuTu+3 milhões

Esse desempenho reforçou a credibilidade da Xiaomi como desenvolvedora de semicondutores, pavimentando o caminho para o XRING O2.

2026 será o ano da integração total

O próprio CEO da Xiaomi, Lei Jun, descreveu 2026 como o ano da “grande reunião”. A ideia é unir:

  • Chips próprios
  • HyperOS
  • Modelos de IA proprietários
  • Dispositivos conectados

Tudo isso funcionando como um único ecossistema integrado, capaz de entregar experiências mais fluidas, seguras e personalizadas.

Lançamento do XRING O2 já tem janela definida

Segundo as informações disponíveis, o XRING O2 deve ser lançado no primeiro semestre de 2026. Os primeiros produtos equipados com o novo chip devem ser anunciados logo após a apresentação oficial da plataforma.

Se a estratégia se confirmar, a Xiaomi não apenas reduzirá sua dependência de fornecedores externos, como também se posicionará entre as poucas empresas do mundo capazes de projetar chips, software, IA e hardware em larga escala.

Com isso, a marca chinesa deixa claro que não quer ser apenas uma fabricante de celulares, mas sim uma potência tecnológica global com controle total sobre seu próprio futuro.

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