Tron: Ares chega ao streaming após fracasso nos cinemas e reacende debate sobre o futuro da franquia
Depois de uma passagem decepcionante pelos cinemas, Tron: Ares finalmente chegou ao streaming e já pode ser assistido em casa. O filme, que tenta renovar a clássica franquia de ficção científica da Disney, estreou este ano nas telonas, mas teve um desempenho muito abaixo do esperado nas bilheterias mundiais.
Agora disponível no Disney+, o longa estrelado por Jared Leto ganha uma nova chance de encontrar seu público, longe da pressão do circuito comercial tradicional.
A estreia reacende não só o interesse pelo universo de Tron, mas também a discussão sobre o impacto do streaming na vida útil dos filmes e no futuro de franquias que não conseguem performar bem nos cinemas.
Um investimento alto com retorno baixo
A Disney apostou alto em Tron: Ares. O orçamento do filme ultrapassou US$ 347 milhões, valor que inclui custos de produção, efeitos visuais complexos e uma campanha global de marketing.
No entanto, o público não respondeu como o estúdio esperava. O longa arrecadou cerca de US$ 142 milhões em todo o mundo, número insuficiente para cobrir os custos totais do projeto. Como resultado, o filme gerou um prejuízo estimado em mais de US$ 130 milhões.
Esse desempenho colocou Tron: Ares entre os maiores fracassos comerciais recentes da Disney, ao lado de outros projetos ambiciosos que não conseguiram atrair público suficiente para as salas de cinema.
A nova vida no streaming
Com a chegada ao Disney+, Tron: Ares entra em uma segunda fase de vida. O streaming oferece um ambiente diferente, no qual o público pode descobrir o filme sem o compromisso financeiro do ingresso e sem a comparação direta com grandes estreias simultâneas.
Além disso, o filme está disponível no formato IMAX Enhanced, que expande a proporção da imagem em cenas filmadas com câmeras especiais, oferecendo uma experiência visual mais próxima da exibição em cinema.
Esse formato reforça um dos pontos mais elogiados do longa: seu espetáculo visual, repleto de cenários futuristas, cores neon intensas e design digital estilizado.
Sobre o que é Tron: Ares
O filme acompanha a história de Ares, um programa de computador altamente avançado que habita o universo digital conhecido como A Grade. Diferente dos protagonistas humanos dos filmes anteriores, Ares nasce como uma entidade digital e passa por uma jornada de autodescoberta.
Em determinado momento, ele precisa deixar o mundo virtual para cumprir uma missão no mundo real, algo que representa uma ruptura inédita na lógica da franquia. Essa travessia levanta questões sobre identidade, consciência artificial, livre-arbítrio e o limite entre o digital e o humano.
Ao longo do filme, Ares começa a questionar sua própria programação, seus objetivos e o significado de existir fora do sistema para o qual foi criado.
Essa abordagem mais filosófica aproxima Tron: Ares de outras obras contemporâneas que exploram a relação entre humanidade e tecnologia, como Blade Runner 2049 e Ex Machina.
Elenco e equipe criativa
O papel principal ficou com Jared Leto, que interpreta Ares. O ator é conhecido por trabalhos como Clube da Luta, Blade Runner 2049 e Clube de Compras Dallas, pelo qual venceu o Oscar.
O filme também marca o retorno de Jeff Bridges, ator que interpretou Kevin Flynn e Clu nos longas anteriores da franquia. Sua presença funciona como uma ponte emocional entre os fãs antigos e a nova geração.
O elenco ainda inclui nomes como:
- Evan Peters
- Gillian Anderson
- Greta Lee
- Jodie Turner-Smith
- Hasan Minhaj
- Cameron Monaghan
A direção ficou por conta de Joachim Rønning, conhecido por trabalhos em Piratas do Caribe e Malévola, enquanto o roteiro foi desenvolvido por Jesse Wigutow em parceria com David DiGilio.
A recepção crítica
Embora o público não tenha comparecido em massa aos cinemas, a crítica apresentou reações mais equilibradas. Muitos analistas destacaram que Tron: Ares funciona melhor como uma experiência estética do que como narrativa tradicional.
Os elogios se concentraram principalmente em:
- Direção de arte e design visual
- Uso criativo de luz e cor
- Trilha sonora atmosférica, que mistura elementos eletrônicos e industriais
- Construção do mundo digital
Por outro lado, o roteiro foi criticado por ser excessivamente contemplativo em alguns momentos e pouco emocionalmente envolvente para o grande público.
Isso pode explicar parte da dificuldade do filme em atrair espectadores fora do nicho de fãs de ficção científica mais reflexiva.
O peso da marca Tron
A franquia Tron sempre teve uma posição curiosa no imaginário do cinema. O filme original, lançado em 1982, foi revolucionário em termos de efeitos visuais, mas não foi um grande sucesso comercial na época.
Com o tempo, Tron se tornou um clássico cult, admirado por fãs de tecnologia, design e ficção científica.
Tron: O Legado, lançado em 2010, tentou modernizar a franquia, com bons resultados visuais, mas também sem alcançar o status de blockbuster.
Tron: Ares segue esse padrão. Ele mantém a identidade estética e filosófica da saga, mas encontra dificuldade para se encaixar no atual mercado dominado por super-heróis, animações familiares e franquias mais acessíveis ao grande público.
Streaming como segunda chance
O caso de Tron: Ares reforça uma tendência crescente na indústria: filmes que fracassam nos cinemas muitas vezes encontram sucesso tardio no streaming.
Plataformas como Disney+, Netflix e Prime Video permitem que produções ambiciosas encontrem públicos diferentes, em outros ritmos de consumo.
Muitos espectadores que não se interessam em ir ao cinema acabam dando uma chance a esses filmes quando eles chegam ao catálogo doméstico, seja por curiosidade, seja por recomendações algorítmicas.
Isso pode transformar fracassos comerciais em sucessos de engajamento, retenção de assinantes e até revitalização de franquias.
O futuro de Tron
Apesar do prejuízo financeiro, Tron: Ares pode cumprir um papel estratégico para a Disney. Ele mantém a marca viva, expande o universo narrativo e alimenta o catálogo do streaming, que hoje é um dos principais ativos da empresa.
Se o filme tiver bom desempenho no Disney+, não é impossível que a franquia continue em formato de séries, animações ou novos longas, talvez com orçamentos mais controlados e foco em nichos específicos.
A história de Tron sempre foi mais sobre conceito, estilo e ideias do que sobre números absolutos de bilheteria.
Um filme que talvez encontre seu público agora
Tron: Ares talvez não seja o filme que o mercado queria, mas pode ser exatamente o filme que parte do público estava esperando.
Com sua estética ousada, reflexões sobre tecnologia e narrativa menos convencional, ele se distancia do cinema blockbuster tradicional e se aproxima de uma ficção científica mais autoral.
Agora no streaming, sem a pressão das bilheterias, o longa pode finalmente ser apreciado por quem gosta de mundos futuristas, dilemas existenciais e experiências visuais intensas.
Para esses espectadores, Tron: Ares pode não ser um fracasso, mas uma obra que simplesmente chegou no lugar errado e na hora errada.
E talvez o streaming seja exatamente o lugar certo para que ele encontre, finalmente, seu verdadeiro público. 🎬✨
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