Fernando Alonso diz que Fórmula 1 perdeu parte da emoção sem os reabastecimentos
Mesmo após mais de duas décadas na Fórmula 1, Fernando Alonso segue refletindo sobre como o esporte mudou — e, segundo ele, nem todas as mudanças tornaram as corridas mais interessantes. Em entrevista recente, o bicampeão mundial afirmou que sente falta de um elemento que, na sua visão, tornava a categoria mais imprevisível e estratégica: os reabastecimentos durante as provas.
Alonso, que estreou na F1 em 2001 e conquistou seus dois títulos em 2005 e 2006, explicou que as corridas do passado ofereciam muito mais possibilidades táticas do que o formato atual permite.
“A grande variável que sentimos falta hoje são os reabastecimentos”, disse o espanhol.
Segundo o piloto da Aston Martin, essa ferramenta permitia criar estratégias radicalmente diferentes dentro de uma mesma corrida, algo que praticamente desapareceu no modelo atual.
A era em que a estratégia moldava as corridas
Nos anos 2000, as equipes precisavam equilibrar consumo de combustível, ritmo de prova e número de paradas. Isso abria um leque enorme de possibilidades.
Um piloto podia largar com pouco combustível, ser extremamente rápido no início e parar cedo. Outro podia apostar em tanques cheios, rodar mais devagar, mas fazer menos paradas. Além disso, como os pneus não podiam ser trocados livremente, cada decisão ganhava ainda mais peso.
Para Alonso, isso tornava o domingo muito mais criativo e imprevisível.
“Você tinha que pensar se ia chover, se não ia chover, quanto combustível colocar, quando parar. Tudo isso fazia parte do jogo”, explicou.
Hoje, com todos largando praticamente com a mesma quantidade de combustível e seguindo estratégias muito parecidas, ele acredita que as corridas ficaram mais engessadas.
Classificação passou a valer mais que a corrida
Outro ponto levantado por Alonso é que o peso da sessão de classificação aumentou demais.
No passado, mesmo largando atrás, ainda havia espaço para virar o jogo na estratégia. Atualmente, quem larga em 12º, por exemplo, costuma ter exatamente o mesmo plano que os 11 carros à frente — o que torna ultrapassar posições muito mais difícil.
“Se eu largar em 12º hoje, tenho a mesma estratégia que os 11 da frente. Antes, eu podia inventar algo diferente”, comentou.
Essa perda de flexibilidade, segundo ele, reduziu a quantidade de histórias inesperadas dentro das corridas.
O esporte ficou mais técnico — e menos imprevisível
Alonso reconhece que a Fórmula 1 evoluiu muito em termos de segurança, tecnologia e eficiência. Os carros são mais sustentáveis, os motores consomem menos combustível e os padrões ambientais são mais rigorosos.
Porém, ele acredita que isso veio acompanhado de uma padronização excessiva.
As corridas ficaram mais limpas, organizadas e previsíveis — mas também, para alguns fãs e pilotos, menos emocionantes.
A nova era de 2026 reacende expectativas
Com a chegada dos novos regulamentos em 2026, Alonso acredita que a Fórmula 1 passará por outra grande transformação. Os carros serão diferentes, os motores terão ainda mais foco em eletrificação e sustentabilidade, e as equipes precisarão se adaptar novamente.
Embora o espanhol não espere um retorno dos reabastecimentos, ele torce para que o novo regulamento devolva alguma imprevisibilidade às corridas.
Mesmo assim, deixa claro que, como piloto, sua prioridade é simples:
“Eu só quero estar na frente. Se for divertido ou não para o público, isso é secundário para quem está competindo.”
Um olhar de quem viveu todas as eras
Poucos pilotos no grid atual atravessaram tantas fases diferentes da Fórmula 1 quanto Fernando Alonso. Ele correu com pneus únicos, com e sem reabastecimento, com motores V10, V8 e híbridos, e agora se prepara para mais uma revolução técnica.
Por isso, sua análise não vem apenas da nostalgia, mas da comparação direta entre formatos.
Para ele, o esporte ficou mais eficiente — mas perdeu parte da alma estratégica que transformava cada corrida em um quebra-cabeça tático.
E talvez seja justamente isso que ele sente mais falta: não apenas dos reabastecimentos, mas da sensação de que, no passado, sempre havia mais caminhos possíveis para vencer. 🏁
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