Evento inédito de MMA no interior do Acre abre portas para novos talentos no esporte
Cruzeiro do Sul (AC) — O cenário das artes marciais mistas no Norte do Brasil dará um passo histórico no próximo dia 28 de fevereiro, quando será realizado o 1º BMF (Brazilian Martial Fights), evento inédito de MMA no interior do Acre. A competição acontecerá no Ginásio Jader Machado, em Cruzeiro do Sul, e reunirá 24 atletas em 12 combates, incluindo três disputas de cinturão e duas lutas com estreantes no profissional.
A iniciativa nasce com o objetivo de oferecer visibilidade, estrutura e oportunidade real para lutadores da região amazônica, que tradicionalmente enfrentam dificuldades para acessar grandes eventos nacionais devido à distância geográfica, altos custos logísticos e falta de patrocínio.
A organização do evento é liderada pelo empresário Gabriel Rodrigues, apaixonado por artes marciais e empreendedor no ramo de suplementos esportivos. Segundo ele, o projeto é mais do que um espetáculo esportivo — é uma ferramenta de transformação social e profissional.
“Aqui existem muitos talentos escondidos. Muita gente boa que nunca teve a chance de mostrar seu trabalho fora do estado. O BMF nasce para ser essa ponte entre o atleta local e o cenário nacional”, afirma Gabriel.
Um evento pensado para valorizar atletas da região
Diferentemente de outros eventos que trazem lutadores prontos de grandes centros, o BMF foi estruturado para priorizar atletas do Acre, ao mesmo tempo em que promove intercâmbio técnico com lutadores do Amazonas e de Rondônia. Metade do card será formada por acreanos.
Essa proposta permite que os atletas compitam em casa, com apoio da torcida local, reduzindo custos e aumentando a exposição diante de empresários, patrocinadores e olheiros.
Além disso, a organização investe em padrão profissional de produção: estrutura de iluminação, transmissão, arbitragem homologada e equipe médica especializada estarão presentes no evento, seguindo normas nacionais de segurança e regulamentação.
Estrutura profissional e expectativa de público
O Ginásio Jader Machado deve receber cerca de 2 mil pessoas, segundo a organização. Os ingressos terão preços populares:
- Arquibancada: a partir de R$ 30
- Área VIP: a partir de R$ 50
A venda do primeiro lote começa ainda neste mês.
A expectativa é de que o evento se torne anual e entre no calendário fixo do MMA regional, funcionando como uma plataforma de lançamento para atletas que sonham em chegar a eventos como Jungle Fight, LFA, Bellator ou UFC.
Combates e cinturões aumentam o peso do evento
Dos 12 combates programados:
- 3 serão disputas de cinturão
- 2 contarão com estreantes no MMA profissional
- 3 lutas ainda estão em fase final de negociação
Existe também a possibilidade de um lutador estrangeiro participar de uma das disputas de título, o que elevaria ainda mais o nível técnico e a visibilidade do BMF.
“Queremos que o atleta sinta que está entrando em algo grande desde o começo. Isso muda a mentalidade, muda o nível de preparação e muda o futuro dele”, explica Gabriel.
Impacto esportivo e social para Cruzeiro do Sul
Além do impacto esportivo, o evento deve movimentar a economia local. Hotéis, restaurantes, academias, transporte e comércio devem sentir os efeitos positivos da chegada de atletas, equipes técnicas e público de outros estados.
O MMA, cada vez mais profissionalizado no Brasil, se mostra também como uma ferramenta de inclusão social, disciplina e geração de oportunidades para jovens que veem no esporte uma alternativa de crescimento pessoal e profissional.
Um novo capítulo para o MMA na Amazônia
Historicamente, os grandes polos do MMA brasileiro estão concentrados no Sudeste e no Sul. Com o surgimento de eventos como o BMF, o mapa começa a se redesenhar.
A realização do 1º BMF em Cruzeiro do Sul representa:
- Valorização do atleta regional
- Democratização do acesso ao esporte profissional
- Fortalecimento do MMA fora dos grandes centros
- Criação de novas referências esportivas na Amazônia
Se for bem-sucedido, o projeto pode inspirar iniciativas semelhantes em outros estados da região Norte.
Sonhos que começam em casa
Para muitos atletas, lutar profissionalmente sempre significou sair do estado, deixar família, investir recursos que muitas vezes não existem. O BMF propõe inverter essa lógica: o grande evento vem até o atleta.
“Nada melhor do que começar esse sonho em casa”, resume Gabriel Rodrigues.
O dia 28 de fevereiro pode marcar não apenas o nascimento de um evento, mas o início de carreiras que, até então, estavam limitadas pela geografia.
E para o público acreano, será a chance de assistir de perto a um espetáculo que antes só existia na televisão — agora, dentro de casa.
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